O RATO E O CALABOUÇO

E o que resta a um pobre rato preso em um calabouço sem saída?
Que façanha o pobre indefeso pode realizar para escapar daquele lugar podre, sujo e escuro?
De onde pode tirar forças para sair e viver “LivreMente”?
E, “SE” sair, será que conseguirá acompanhar um mundo tão diferente daquele em que estava?
Estará livre para andar em plenitude com sua mente?
O rato não sabe responder. Talvez nem tenha consciência dessas perguntas.
O rato não conhece a liberdade como a conhecemos. Afinal, ele mesmo entrou no calabouço por vontade própria...
O rato queria estar lá. O rato estava lá!
Mas viver no calabouço não estava sendo suficiente. Não estava sendo saudável.
Ainda assim, o rato amava estar ali. Por mais que, visto de fora, o calabouço parecesse conter somente infelicidade, o rato o enxergava de outra maneira.
O rato AMAVA o calabouço!
Queria aprender a viver naquele lugar. Era aconchegante para sua visão de mundo. Lá, ele tinha LIBERDADE: não como a conhecemos, mas aquela que desejava!
Mas essa liberdade e esse amor eram suficientes?
Acho que nunca bastam para sobreviver!
Ainda assim, o rato queria entender o calabouço. Queria mudá-lo para que o calabouço entendesse suas necessidades.
E o calabouço?
O calabouço não entendia o que o rato queria. Era escuro desde que se conhecia como calabouço.
O calabouço entendia o que o rato queria, mas queria viver daquela forma.
No “fundo”, o calabouço era um calabouço, e não um palácio!
O calabouço não era solitário, diferente do rato.
Era visitado frequentemente por diversos outros seres: aranhas, morcegos, traças, cupins e tantos outros.
Não sentia necessidade de se resumir somente ao rato, já que sua visão era diferente da dele...
Mas, ainda assim, amava o rato.
Amava, vivia, era feliz junto ao rato.
As aranhas, porém, não podiam saber da existência dele, porque, se soubessem, iriam embora. As traças temiam o rato, já que ele poderia devorá-las.
Por isso, enquanto os outros hóspedes o visitavam, o calabouço deixava o rato em seu canto mais escuro.
Dali, o rato ouvia os passos, o bater das asas, o movimento dos visitantes. Via suas sombras atravessarem o espaço, enquanto permanecia recolhido no canto.
Como o rato se sentia?
O rato amava estar ali, mas sabia que poderia ser bem mais do que aquele pobre animal em um canto escuro.Queria estar na mesa, no altar, nas escadas.
Queria estar no calabouço!!!
Oh, pobre rato!
Não conseguia perceber sua pobre insignificância perante a vastidão daquele espaço.
Ele sabia que era importante. E sabia o quanto o calabouço era importante para si.
Mas o rato queria mais.
O rato saiu!
Ele não queria sair!
Para onde o rato foi?
...
FIM!
Um conto alegórico em prosa poética, por: Ronie Von Junior.




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