O LOBO

Eis que um velho lobo solitário, em um dia de amargura e desolação, tomou uma decisão que mudaria por completo sua vida. Desolado por aqueles que diziam ser sua alcateia, estava em um beco, rugindo de fome, estressado pelo que a fome lhe causava, sedento de atitudes mal tomadas e de caminhos mal percorridos, que, correlacionados, o colocaram naquele beco.
Um beco escuro que outrora já havia visitado e até vivido nele, mas, apesar de tudo, não era nada familiar, e muito menos aconchegante era estar ali. As lembranças não eram nostálgicas, eram dramáticas. O LOBO NÃO QUERIA ESTAR LÁ!
Rugindo de fome, mas não uma fome de alimento, e sim fome de atenção. Rugindo alto para si e silencioso para os demais, clamava para que pudesse ser visto, que fosse entendido, não somente por sua alcateia, que tanto o desprezava, mas também por um ser específico que tanto admirava.
O lobo, rugindo de ideias mal interpretadas e de atenções mal-intencionadas, rugiu em direção a um canto do beco que lhe dava aconchego. Rugiu antes de ir, querendo atenção, mas o lobo ferido não sabia clamar por atenção. Então, foi interpretado como distanciamento, e seu comportamento o afastou ainda mais daqueles que ele queria por perto.
Pobre lobo, tão perto de si, mas tão longe de tudo.
O lobo aqui é figurado, mas também é necessário. O lobo existe ou não existe? Quem sabe? Não sou eu quem deve responder!
Se existe, viveu um dos piores momentos da sua vida, sendo repelido de sua alcateia, não por ser visto como ruim, diferente ou desnecessário, mas sim porque não sabia se relacionar.
Talvez o lobo se culpe demais. Concordo, o lobo foi necessário e, no seu mais puro ato de bondade e fé, ele foi ele mesmo.
Nenhum de nós sabe como aquele lobo ferido, rugindo dores ferventes, foi parar naquele beco. Algum motivo o pôs lá!
Arrisco dizer que ele se colocou lá por amor, mas de que valeu o amor, se o lobo continua no beco?
O lobo não queria que o mundo compreendesse sua solidão. Queria que alguém compreendesse que, por trás de todos os seus rugidos, havia apenas um pedido para não ser deixado sozinho.
Um conto nada poético por - Ronie Von Junior


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